sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A REPÚBLICA DOS PUXA-SACOS- Como cargos e contratos viram moeda política em São João do Sóter



As imagens que circulam em São João do Sóter expõem mais do que gestos de devoção pessoal: revelam um modelo de poder. O poder que não se sustenta em resultados, planejamento ou políticas públicas, mas na bajulação.

Aqui, a crítica não é a um gesto isolado, nem a uma fotografia. É ao modelo de governo que transforma a administração pública em vitrine de submissão. Um modelo em que o acesso ao poder não se dá por competência, mérito ou compromisso com o interesse coletivo, mas pela disposição em bajular, silenciar e obedecer.



O puxa-saco é peça-chave desse sistema. Ele ocupa cargos, recebe contratos, mantém vínculos precários e vive da dependência política. Em troca, oferece aplauso permanente, defesa cega e a encenação de apoio popular. Não fiscaliza, não questiona, não pensa — apenas confirma o ego de quem governa.

Quando cargos públicos passam a funcionar como moeda política, o Estado deixa de servir à população e passa a alimentar uma rede de fidelidades pessoais. A máquina pública se converte em curral, e o orçamento, em instrumento de controle. O resultado é sempre o mesmo: gestões frágeis, políticas vazias e desenvolvimento paralisado.

Governos cercados por bajuladores não erram por acaso. Erram porque não admitem crítica, porque confundem autoridade com adoração e porque tratam o dissenso como ameaça. Onde todos concordam, ninguém governa — apenas se mantém no poder.

É importante dizer: esta é uma leitura política e simbólica de práticas recorrentes, amplamente conhecidas na história administrativa brasileira. Não se acusa crime a partir de imagens. Denuncia-se algo mais profundo: a normalização do puxa-saquismo institucionalizado, financiado pelo dinheiro do povo.

Cidades governadas por esse modelo não avançam. Estagnam de joelhos, enquanto poucos se beneficiam e muitos pagam a conta.

O serviço público não foi criado para produzir reverência. Foi criado para entregar resultados.

E onde o poder prefere aplauso ao trabalho, o futuro é sempre o primeiro a ser sacrificado.

O puxa-saco não é seu. Quem paga é você.

O puxa-saco não é seu— o salário, o contrato e a conta são. O puxa-saco é pessoal, o dinheiro usado para mantê-lo é público.