Bruno Caldas Siqueira Freire (OAB/MA 6.798) é advogado atuante em Imperatriz, no sul do Maranhão, com uma trajetória que combina presença no setor privado, onde representa empresas em demandas jurídicas de alta complexidade, e um histórico reconhecido de relevantes serviços prestados à administração pública em diversos municípios da região. Conhecido pela proximidade com clientes e colegas e pelo cuidado técnico de sua atuação, ele conversou conosco sobre os desafios da advocacia contemporânea, o papel do advogado na sociedade e a importância da atualização profissional constante.
Bruno, sua trajetória passa tanto pelo setor privado quanto pelo público. Como você define o seu papel como advogado hoje?
Eu costumo dizer que o advogado de hoje precisa ser, antes de tudo, um bom ouvinte de problemas antes de ser um aplicador de normas. Ao longo da minha jornada, tive a oportunidade de atuar tanto representando empresas em demandas complexas no campo privado quanto prestando serviços relevantes à administração pública em diversos municípios da região sul do Maranhão. São realidades diferentes, com lógicas próprias: o setor público pede rigor formal e sensibilidade para o interesse coletivo; o setor privado pede agilidade e foco em resultado. Ter passado pelos dois me ensinou a enxergar o direito de ângulos complementares, e isso só enriquece a forma como atendo cada cliente.
Quais você considera os maiores desafios da advocacia no Brasil atual?
Eu destacaria três, sem hierarquia rígida entre eles. O primeiro é a falta de padronização de processos de trabalho — muitos colegas, eu inclusive em certo momento, acabam reproduzindo esforço que poderia ser otimizado com bons modelos e rotinas bem desenhadas. O segundo é o ritmo de mudança normativa e tecnológica, que exige um compromisso permanente com o estudo. E o terceiro, talvez o mais delicado, é a dificuldade de transformar conhecimento técnico em entrega prática para o cliente, conhecimento é importante, mas precisa se traduzir em solução concreta e em comunicação clara com quem está do outro lado da mesa.
Você menciona padronização de processos. Por que isso é importante para você?
Porque tempo e atenção são os recursos mais escassos que um advogado tem, e cada hora desperdiçada reinventando uma peça já é uma hora que poderia ser dedicada a pensar com mais profundidade no caso do cliente. Há algum tempo, decidi olhar com mais cuidado para minha própria rotina: mapear os documentos que eu mais produzia e construir modelos bem estruturados para cada um deles, com protocolos claros de uso. É um trabalho de bastidor, pouco glamouroso, mas que no fim se traduz em mais qualidade e mais tempo de atenção para quem realmente importa, que é o cliente.
Sua atuação junto à administração pública é reconhecida em diversos municípios da região. Qual a importância desse tipo de trabalho, que muitas vezes passa despercebido?
É um trabalho que, na prática, protege a vida das pessoas de forma silenciosa. Um parecer mal fundamentado ou um convênio redigido sem o cuidado devido pode gerar nulidade, questionamento perante o Tribunal de Contas e, no limite, prejuízo à própria população que deveria ser beneficiada pela política pública. Tive a satisfação de conduzir, ao longo da minha trajetória, projetos de cooperação entre municípios que exigiram exatamente esse tipo de atenção técnica, sempre buscando dar segurança jurídica adequada aos atos administrativos envolvidos. É uma área que merece mais reconhecimento do que costuma receber.
E na advocacia voltada para o setor privado e empresarial, qual tem sido sua experiência mais marcante?
Atuei em processos relevantes no contencioso cível e empresarial, inclusive em causas de grande porte envolvendo empresas de peso no cenário nacional. Esse tipo de causa exige preparo técnico sólido e domínio atualizado da jurisprudência, porque normalmente você está diante de departamentos jurídicos bem estruturados, com tempo e recursos disponíveis. No campo empresarial, prefiro sempre que possível uma atuação preventiva, um contrato bem redigido evita boa parte dos litígios que, de outra forma, acabariam consumindo anos no Judiciário.
Você fala em capacitação e atualização profissional constante. Por que isso é tão central na sua visão de advocacia?
Porque o direito que aprendemos na faculdade tem validade limitada. A lei muda, a jurisprudência se atualiza, e a própria forma de produzir e entregar serviço jurídico vem se transformando com a tecnologia. Quem deixa de estudar corre o risco de, sem perceber, ficar para trás justamente no momento em que o cliente mais precisa de uma resposta precisa. Para mim, estudar não é obrigação burocrática para manter a OAB em dia é parte essencial do compromisso com quem confia o seu caso a mim.
Qual o papel da coragem na advocacia, na sua visão?
Não falo de uma coragem grandiosa, mas de algo mais simples e cotidiano: a disposição de sustentar uma posição técnica bem fundamentada mesmo quando ela é incômoda, e de assumir responsabilidade por decisões que envolvem certo grau de risco. Advogado que só repete o que já está pacificado, por comodismo, está abrindo mão de uma parte importante do seu papel. Coragem profissional, para mim, é simplesmente ter a disposição de assinar embaixo da própria análise, com responsabilidade e transparência com o cliente sobre os riscos envolvidos.
Como você avalia a importância da reputação construída ao longo de uma trajetória profissional?
Reputação não é algo que se declara, é algo que se constrói com consistência, ao longo de muitos anos e muitas entregas. Prezo bastante por essa construção: ser reconhecido pelos colegas de profissão e pelos clientes, tanto do setor público quanto do privado, como alguém em quem se pode confiar, tecnicamente preparado e disponível para dialogar. No fim das contas, é essa confiança acumulada que sustenta qualquer carreira jurídica de longo prazo.
Você também tem se dedicado a outros projetos e interesses fora da rotina estritamente jurídica. Como isso se conecta com sua atuação como advogado?
Tenho interesse genuíno em outras áreas, e gosto de pensar que essa curiosidade me ajuda a enxergar problemas jurídicos com mais criatividade. Mas quero deixar claro que minha atividade principal, onde concentro meu compromisso e minha responsabilidade profissional, é a advocacia. Outras frentes de interesse pessoal funcionam mais como espaço de aprendizado e de exercício de raciocínio do que como atividade profissional paralela.
Para encerrar: que conselho você daria a um advogado em início de carreira hoje?
Tenha paciência com o processo, mas seja disciplinado com o método. Procure organizar bem suas rotinas, documentar o que funciona, e use o tempo que sobrar disso para estudar de verdade, uma área nova do direito, uma habilidade de gestão, o que fizer sentido para o seu momento. E não tenha medo de assumir responsabilidade quando a oportunidade aparecer: é isso que constrói, com o tempo, uma trajetória sólida e respeitada. Advocacia de qualidade não é sorte, é estudo, método e responsabilidade, sustentados com humildade ao longo dos anos.
*Bruno Caldas Siqueira Freire é advogado (OAB/MA 6.798), com atuação consolidada tanto no setor privado quanto junto à administração pública em municípios da região sul do Maranhão.*